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Exposição de Serralves na Devesa

4 min. 28.09.2018

Com perto de duas dezenas de obras de artistas consagrados como José Pedro Croft, Pedro Cabrita Reis, Gil Heitor Cortesão, Ângela Ferreira, Luís Palma, e outros, a exposição pertencente à coleção de Serralves surge no âmbito do acordo de adesão do município de Famalicão ao Conselho de Fundadores da Fundação celebrado em 2016 e ficará patente até junho de 2019.

“A minha casa é a tua casa” é habitualmente a expressão com que asseguramos a alguém que a nossa hospitalidade é sincera, instituindo também a casa enquanto centro de uma relação entre duas ou mais pessoas - dialética que pode sintetizar a dinâmica entre artista e espectadores: as casas imaginadas por artistas serão temporariamente a nossa casa.

É, de facto, muito considerável a quantidade de artistas para quem a casa é tema e pretexto. Os artistas e as obras presentes nesta exposição colocam o doméstico e o quotidiano no centro das suas preocupações, propondo diferentes interpretações daquilo que se entende por casa. Para alguns, ela é abrigo, lugar protetor de espera, evocador de estados e sentimentos como a solidão e a melancolia; para outros, ela é o local ideal para, através de um escalpelo analítico, identificar e falar de neuroses, de repressões; para outros ainda - Martha Rosler é exemplo paradigmático -, a casa, mais concretamente a cozinha, é símbolo da condição feminina e, portanto, cenário e objeto das mais ferozes críticas ao papel tradicional da mulher.

Independentemente do ângulo adotado, a casa parece sempre encetar um jogo subtil entre o privado e o público. Talvez por isso alguns dos artistas presentes em "A Minha Casa é a Tua Casa” sublinhem a relação da casa com a rua e com a cidade, dedicando-se a pensar questões eminentemente urbanísticas - casos de Ângela Ferreira, Gordon Matta-Clark e Luís Palma.

Aos ideais utópicos e de libertação do homem que estiveram na base da arquitetura e do urbanismo modernistas, estes artistas contrapõem modelos vernaculares de ampliação de casas (as marquises) ou um território desordenado em que se mesclam organismos urbanos e rurais, outrora coerentes e estanques. As casas destes artistas são a nossa casa.

Recorde-se que a exposição foi lançada, na Devesa, no passado mês de junho, com a apresentação de uma escultura de José Pedro Croft. Na altura, o presidente da Câmara Municipal, Paulo Cunha, salientou a importância para Famalicão de ter um parceiro cultural estratégico como é Serralves. No mesmo sentido, a presidente da Fundação Serralves, Ana Pinho, sublinhou a importância da cooperação com Famalicão no âmbito da politica de descentralização da Fundação.

Recorde-se que, com a celebração do acordo de adesão do município a Serralves iniciou-se uma relação de cooperação entre estas duas instituições, baseada num projeto integrativo de promoção e divulgação cultural e ambiental, que entre outras atividades prevê, por exemplo, o acesso em Famalicão às inúmeras exposições itinerantes da Coleção de Serralves, entre outras iniciativas.

A Fundação Serralves é uma instituição de utilidade pública de que são fundadores, entre outros o Estado, e um importante conjunto de entidades singulares e coletivas, que representam a iniciativa privada, a sociedade civil e as autarquias. Ao todo, a Fundação Serralves conta neste momento com cerca de 241 fundadores.

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