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Suplemento especial sobre o consumo de carne

9 min. 09.11.2018

O Jornal Opinião Pública dedica esta semana um suplemento especial acerca do consumo de carne, nomeadamente os efeitos que pode trazer para a saúde

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Muito se tem falado, nos últimos anos, sobre o consumo de carne e os efeitos nefastos que o seu consumo exagerado pode trazer para a saúde. De acordo com a evidência científica mais recente, pelo menos um terço dos tipos mais comuns de cancro pode ser prevenido através da adoção de comportamentos saudáveis de alimentação e atividade física. O consumo moderado de carne e o aumento do consumo de frutos e hortícolas no dia-a-dia podem ter um papel determinante.

Nesse sentido, o segredo parece ser a moderação, algo que se aplica não só em relação ao consumo de carne mas também ao de outros alimentos. E diversidade, pois uma dieta alimentar rica é uma dieta diversificada.

De acordo com a Direção-Geral da Saúde, a carne continua a ser considerada um alimento relevante para ser incluído moderadamente na dieta humana e numa alimentação diversificada pelo seu elevado valor proteico, vitamínico e mineral.

Tendo em conta as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro, devemos reduzir o consumo de carne processada (enchidos, carne de fumeiro, chouriços, salsichas, carne enlatada). Na prática, o consumo destes alimentos deve ser feito em momentos ocasionais e não frequentemente.

Podemos também diminuir, por precaução, o consumo de carne vermelha (vaca, porco, cabrito, outros) para valores até 500 gramas por semana. Porém, a dose acima da qual existe risco comprovado ainda não está totalmente esclarecida.

Segundo um estudo realizado pela Faculdade de Saúde Pública de Harvard, o consumo regular e abundante de carne vermelha pode diminuir a esperança de vida, resultante do risco de problemas cardiovasculares e aparecimento de alguns tipos de cancro.

Para não fazer um consumo regular deste tipo de alimentos, pode e deve diversificar a sua alimentação, consumindo carnes brancas (frango ou peru), peixe, ovo, soja, tofu, ou até leguminosas (feijão, lentilhas). Quando optar pelo consumo de carnes vermelhas, há que privilegiar as partes mais magras e confecionar de forma saudável (estufar; assar sem gordura; grelhar).

O importante é ter sempre presente que ao fazer uma alimentação variada e saudável, estará a contribuir para ganhar em saúde e anos de vida.

Saber a origem é fundamental

Hoje em dia, os consumidores estão cada vez mais informados e exigem saber a origem daquilo que comem. No caso da carne, a transparência em relação à sua origem é fundamental e a rotulagem obrigatória tem ajudado a melhorar a confiança nos produtos.

Os rótulos da carne de suíno, ovino, caprino e aves têm de identificar o país de origem ou local de proveniência, bem como substâncias que possam causar alergias.

A rotulagem obrigatória aplica-se à carne fresca, refrigerada e congelada e decorre da legislação comunitária, visando “garantir o direito à informação dos consumidores, assegurando uma escolha livre e consciente e prevenindo situações suscetíveis de causar dano à saúde”.

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Portugueses comem 300 gramas de carne por dia

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), cada português come, em média, 108 quilos de carne por ano. Dividindo pelos dias do ano, conclui-se que os portugueses consomem, em média, 300 gramas por dia, o que equivale a cerca de dois bifes. O que, evidentemente, não significa que todos os portugueses tenham direito ao seu bife diário. 
A carne de porco é, de longe, a que é mais servida à mesa dos portugueses. Segundo o INE, em 2014 (não existem dados mais recentes), cada português comeu, em média, 43,9 kg de carne de porco. Segue-se, destacada, a carne de aves de capoeira, com 37,5 kg. Em comum, estes dois tipos de carnes têm o facto de serem comparativamente mais baratas. As carnes de bovino representam uma fatia menor no menu dos portugueses, com um consumo médio anual de 17,5 kg. Finalmente, as carnes de ovino e caprino, com 2,3 kg por habitante.
O consumo de carne é também um bom indicador sobre a situação financeira das famílias portuguesas. Em 2014, pela primeira vez desde 2009, o consumo deste tipo de alimentos voltou a subir. O longo período de austeridade, iniciado em 2010, mas muito acentuado com a chegada da troika, resultou numa quebra do consumo de carne, um fenómeno inédito desde 1985.

Esta evolução vai ao encontro do que se conhece sobre o consumo de carne e a sua distribuição pelas classes sociais. A carne de vaca é mais consumida por famílias com uma boa situação financeira, enquanto as aves e o porco são uma prioridade para as famílias com menores recursos económicos. Além de ter um preço mais baixo que a carne de vaca, a proteína proveniente de suínos ou de aves pode ter um efeito multiplicador em termos de utilização gastronómica nos lares, como é o caso da canja de galinha ou do arroz de frango. 

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Carnes brancas e vermelhas: do mito à realidade

A carne branca é melhor que a carne vermelha. Ouvimos isso incessantemente, dos médicos, dos nutricionistas, das organizações ligadas à saúde e à alimentação. Mas, afinal, quais são as carnes vermelhas e as carnes brancas?

As carnes vermelhas incluem as de vaca, de vitela, de porco, de cordeiro, de carneiro, de cavalo, de cabra, de coelho e de avestruz, enquanto as carnes brancas são as de frango, pato, peru, ganso e peixes.

Em geral, as aves são carnes brancas e os animais de quatro patas são carnes vermelhas, mas a classificação das carnes depende da cor, da origem do animal, do tipo de músculo e do pH da carne, não existindo uma forma simples e confiável de fazer essa diferenciação.

Posto isso, é importante desmitificar algumas ideias preconcebidas acerca do consumo destas carnes.

Carne branca é melhor que carne vermelha

Verdade. As carnes brancas são melhores para a saúde porque, em geral, possuem menos gordura e colesterol, sendo também mais fáceis de digerir. No entanto, apenas o consumo em excesso da carne vermelha é que traz prejuízos à saúde como problemas cardiovasculares e colesterol alto, pois o ideal é fazer uma alimentação equilibrada, que pode incluir todos os tipos de carne.

Comer carne vermelha à noite faz mal

Mentira. A carne vermelha pode ser consumida à noite, pois, assim como qualquer outro alimento, ela só faz mal se for consumida em excesso. Neste caso, acaba por prejudicar a digestão, deixando a sensação de azia e estômago cheio.

Carne branca não engorda

Mentira. Apesar de conter menos gordura, a carne branca também engorda quando consumida em excesso, principalmente quando consumida com molhos calóricos.

Carne mal passada faz mal

Depende da origem da carne. Consumir carnes mal passadas só faz mal à saúde se ela estiver contaminada com parasitas como a tênia ou bactérias que causam infeção intestinal. Assim, deve-se sempre comprar carnes em locais que garantam e seu processamento e origem.

Carne de porco faz mal

Mentira. Assim como a carne de vaca, a carne de porco só faz mal se estiver contaminada e se não for bem cozida. Quando a cozedura é adequada, essa carne também é segura para consumo.

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