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Especial: Mercados de proximidade ganham nova dimensão

15 min. 30.03.2020

Carla Alexandra Soares

 

A vida de todos nós mudou. Pelo menos, a nossa perspetiva da vida mudou certamente. Há tantos com tantas certezas e há tantos, muitos mais, com tantas dúvidas. O mundo está em suspenso, as pessoas (a maioria) recolheram-se, as ruas ficaram vazias e as maiores cidades do mundo, mesmo aquelas que nunca dormiam, ficaram em silêncio. Já ninguém tem tanta certeza do que planeou, do rumo da sua própria vida, sobre o que vai acontecer amanhã, na semana seguinte...

Todos, ou quase todos, perceberam a fragilidade da sua própria existência e foram obrigados, por força da sobrevivência, a priorizar. Sair para o trabalho e deixar os filhos na escola, jantar fora, tomar café com um amigo, ir ao cinema, ir ao centro comercial, ao cabeleireiro, à missa, jantar em casa dos pais, aproveitar o fim de semana para saborear uma esplanada. Pareciam coisas inabaláveis, certo? Mas o tal inimigo que estamos a combater e é invisível nos provou que não são. Pela nossa vida e pela vida de todos, não são.

No mundo inteiro, esta pandemia do Covid-19, tirou a vida, até ao momento que este texto foi escrito, a mais de 19 mil pessoas e há 420 mil infetados. São este os números que devem deixar as pessoas em sentido, porque não são números. São pessoas, com nomes, família, uma casa, netos, filhos… Na Itália, dizem os moradores de Bergamo, na Lombardia, que não há falta de nada nos supermercados. A única coisa que esgotou na cidade foram os caixões e as cremações estão em lista de espera.

No momento em que Portugal entra na fase mais critica e os números que nos preocupam a todos sobem em flecha, são estes factos e são as notícias que nos chegam de fora que devem estar bem presentes em cada gesto do nosso dia a dia, mesmo nas coisas mais simples.

 

Mudança de vida, mudança de hábitos

A vida está de facto a mudar, mas nós temos que nos adaptar, sobretudo, ao que é urgente. E nem tudo é negativo. Houve quem reaprendesse a brincar com os filhos, a jogar às cartas, a ler, a ver um bom filme e até a fazer bolos e outras experiências culinárias. As pessoas tornaram-se mais próximas, mais solidárias, olham com mais cuidado para os seniores da sua família e ajudam o vizinho que não pode sair de casa.

No rol das coisas mais simples estão as compras e aqui houve também grandes mudanças nos hábitos das pessoas e os famalicenses não são exceção.

O OPINIÃO PÚBLICA fez uma ronda por quatro mercados de proximidade do concelho, que sentiram precisamente essa alteração.

No supermercado “Sabor ao Largo”, em Landim, Fernanda Almeida, que estava precisamente a repor as prateleiras, depois do fim de semana de grande correria às compras, não tem dúvidas que as pessoas têm rotinas diferentes e que os clientes da sua loja são, agora, mais. “Vêm cá pessoas que antes não vinham. E sinto que os mais velhos fazem compras menos vezes e levam em mais quantidade”, explica a comerciante que sublinha que os clientes mais novos nunca tiveram a tentação de “açambarcar”.

Aliás, a este propósito, Fernanda assegura que, na sua loja, tudo é feito para que não falte nada nas prateleiras, desde os produtos mais frescos a todos os outros.

 

Sabor ao Largo_Prancheta 1_Prancheta 1

Em Vale S. Martinho, no “Mercadinho da Elsa”, as coisas não são muito diferentes e a proprietária Elsa Lopes tomou outras medidas de apoio aos seus clientes. “Basta que nos liguem, fazem a sua encomenda, nós preparamos, o pagamento é feito via transferência bancária e é só vir cá buscar”. Com este procedimento evita-se o contacto com outras pessoas e com o dinheiro.

As pessoas têm levado mais coisas para evitar ir às compras todos os dias. “Temos clientes que trabalham e têm mais dificuldades em vir cá e levam em mais quantidade, por outro lado, outras por dificuldades financeiras, não podem fazer muitas compras duma só vez”, explica Elsa Lopes.

Quanto ao principal grupo de risco, os mais velhos, a comerciante reconhece que tem sido difícil convencê-los a não saírem de casa. “Gostam muito de fazer as suas compras e alguns vêm todos os dias, nem que seja para levar apenas uma coisa”.

Respeitando o que dizem ser as indicações da DGS, na loja só podem estar, de cada vez, três clientes, assegura Elsa Lopes, que têm respeitado a distância de segurança.

 

Mercadinho da Elsa 0326_Prancheta 1

Em Vilarinho das Cambas, no “Mercado Azevedo” há também dezenas de avisos a pedir que as pessoas adotem todas as medidas de segurança, nomeadamente, o distanciamento social. Para além disso, no espaço podem estar apenas oito clientes, o que tem sido respeitado por todos.

O proprietário, Sérgio Azevedo, que garante que nada vai faltar na sua loja, sentiu, a semana passada, um maior fluxo de clientes, que não eram habituais. “Agora, tudo voltou à normalidade e aqui não sentimentos que as pessoas tenham mudado os hábitos”.

Quanto aos mais velhos, Sérgio Azevedo sente que ficam mais por casa e que outros fazem as compras por eles, “sobretudo os filhos”.

 

Mercado Azevedo 0326_Prancheta 1

Do lado oposto do concelho, na vila de Riba d’Ave, no “IC Supermercado”, à custa do Covid 19, também foram tomadas medidas para ajudar a evitar o ajuntamento de pessoas. Na loja só podem estar quatro clientes de cada vez e por todo o espaço comercial é bem visível o pedido para que seja respeitado o distanciamento de segurança.

Mas, apesar de já o fazerem antes da pandemia, agora foi reforçada a entrega porta a porta das compras encomendadas. Neste espaço, onde nunca faltou nenhum produto, frescos ou não, sentiu-se a diminuição de frequentadores mais velhos que pedem aos seus filhos ou vizinhos que façam as compras por si. Quanto aos outros continuam a vir, mas menos vezes, levando para mais tempo e essencial.

O que vai acontecer depois desta tempestade ninguém sabe. Alguns defendem que as coisas nunca mais serão iguais e que todos daremos mais valor às coisas simples da vida. Assim seja. Enquanto a tempestade atinge o seu momento mais feroz, todos temos um papel. Mesmo afastados, estarmos cada vez mais próximos.

IC Supermercados 0326_Prancheta 1

Regras da DGS para fazer compras

Face à pandemia do novo coronavírus, todas as precauções são poucas nas idas às compras. Agora, as visitas devem ser as menos possíveis e existem regras bem definidas para que este não seja um espaço de propagação do vírus. Por exemplo, o número de clientes por cada 100 metros quadrados é de apenas quatro pessoas.

Desta forma, para que possa proteger-se a si e aos outros deve começar por fixar apenas uma pessoa da família para se dirigir ao supermercado, de preferência alguém que não pertença a um grupo de risco. É importante que não se esqueça de levar uma lista de compras, para que não se esqueça de nenhum produto e não traga coisas que não precisa, e que podem ser essenciais a outras famílias. Porém, convém sempre trazer algumas unidades de cada produto para que não precise de se dirigir ao supermercado com frequência. Apesar das próprias cadeias das áreas de distribuição superficiais, estejam a fazer um grande esforço para que não exista uma quebra de abastecimento dos supermercados, é essencial que não exista um açambarcamento de produtos.

Aquando da sua visita vai reparar que a maioria das lojas disponibiliza à entrada gel hidroalcoólico e papel para uso dos clientes. No entanto, é preferível levar os seus próprios sacos de compras de casa de modo a evitar os carrinhos de compras e os cestos. Dentro da loja mantenha a distância de segurança face aos outros consumidores, no mínimo 1,5 metros e procure não manipular os alimentos como por exemplo, fruta e vegetais.

De seguida, para pagar, privilegie as formas de pagamento que não envolvam contacto próximo entre consumidores e funcionários da loja. Um deles, é através da utilização do telemóvel para registo dos bens, assim como para finalizar a compra, ou mesmo pelos cartões de multibanco contactless que, a partir de agora, podem efetuar compras até 50 euros.

Por fim, quando chegar a casa há que lavar de imediato as mãos, antes de qualquer outra atividade. A regra de ouro é fazê-lo com água corrente e sabonete ou sabão sempre mais de 20 segundos. Para sua proteção, deixe os sacos repousarem algum tempo antes de colocar os alimentos nos respetivos sítios. Arrume só o essencial como congelados, iogurtes, entre outros.

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