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Nortenhos revoltam-se contra “estudo” da TVI

4 min. 14.04.2020

Um dos primeiros a revoltar-se contra o “estudo” feito por um especialista para a estação TVI, e emitida no passado dia 8 de abril no Jornal das 8, foi Rui Moreira, o autarca do Porto. A propósito escreve na sua página do facebook uma carta que começa “do Norte com educação”.

Durante várias linhas, e num longo texto, o edil portuense lembra que o estudo emitido pela TVI explicava a disparidade de incidência da pandemia a Norte e a Sul. Invocaram o facto da infeção ter começado a Norte, devido à ligações dos empresários a Itália e à Espanha, a concentração demográfica maior a Norte e uma economia muito concentrada em indústrias, que não podem trabalhar em teletrabalho. Ou seja, a economia do Norte, assente na indústria, era e é mais vulnerável.

“Porém, a jornalista e o oráculo da peça concluíam mais além, e atribuíram a maior incidência da doença ao facto da população do Norte ser mais pobre… e “menos educada”. A peça da TVI conclui portanto, sem base científica, que os nortenhos (ilustrados com uma bonita imagem do Porto) são menos educados e mais pobres e que é por isso que têm mais Covid19”, lê-se no mesmo texto.

Para Rui Moreira “a TVI poderia ter concluído sem base científica, mas com alguma lógica empírica”. “Contudo, nem uma coisa nem outra. Partir do princípio que a falta de educação e a pobreza provocam Covid19 é quase tão absurdo como imaginar que uma boa francesinha a cura, ou que beber água morna a previne. Aliás, é até um pouco mais absurdo, porquanto a distribuição geográfica dos casos existentes em Portugal levariam então a concluir que a população de Lisboa seria bastante (mas mesmo muito) menos educada e pobre que a da Amadora, Seixal, Almada, Loures ou que a de qualquer cidade do Alentejo, já que Lisboa apresenta casos positivos de Covid19 muito acima destas localidades que a rodeiam. Por isso, ou a TVI encontra uma outra explicação para a doença, que não a falta de educação, ou estará a passar um atestado pouco simpático e injusto aos lisboetas.”

E o autarca do Porto continua: “O Norte, esse ponto cardeal que a TVI confunde com o Porto e vice-versa, e que imagina Viana do Castelo como uma freguesia da cidade Invicta e Braga como a sua periferia, não está provado que tenha gente mais mal-educada ou mais bem-educada do que Lisboa, da mesma forma que não se provou ainda que Lisboa tenha mais ou menos estúpidos que a Amadora, como na mesma lógica da TVI, seria apropriado dizer-se”.

Depois da alusão a uma peça jornalista da BBC sobre os mitos da pandemia, o presidente da Câmara termina referindo que “tudo isto tem, é claro, um nome. Chama-se “portofobia”. Um sentimento arreigado em pessoas que acham que “este país” seria melhor sem “o Norte”. Pois bem, nós somos portugueses. Nem temos de invocar que daqui houve nome Portugal. Basta dizer que quem não está bem que se mude, e nós estamos bem em Portugal”.

Outra das personalidades que se insurgiu contra a conclusão da TVI foi o humorista Eduardo Madeira. “Da longa lista de disparates que se vai vendo aqui e ali, este entra para o top ultrapassando as fake news da SIC (pelas quais pediu prontamente desculpa). Segundo um "especialista" o norte está a ser mais fustigado por ser menos educado, mais pobre, mais envelhecido e concentrado em lares. Que chorrilho de asneiras. Alguém deve, também neste caso, pedir perdão. É já!

Lamentável é inconcebível.”, termina.

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