portugueses-estao-mesmo-a-sair-mais-a-rua

Notícias

Portugueses estão mesmo a sair mais à rua

7 min. 24.04.2020

Garantem que aquela foi a primeira vez que saíram à rua para passear. Explicam que já não aguentavam mais estar fechados. Que estão “saturados”. Que hoje precisavam mesmo, mesmo de sair. Cada um tem a sua justificação para ali estar, mas a verdade é que esta quinta-feira, pelas 16h00, o Jardim da Estrela, em Lisboa, estava cheio de portugueses e estrangeiros — não tão cheio como nos dias de verão antes da pandemia, mas mais cheio do que era suposto quando o país e o mundo enfrentam um surto da gravidade da Covid-19. E quando o país está em estado de emergência, com saídas, deslocações e viagens limitadas ao essencial, com a recomendação maior a ser #fiqueemcasa.

A reportagem é do “Observador”, que registou pessoas deitadas na relva a apanhar sol ou a beber umas cervejas. Sentadas nos bancos a ler ou simplesmente a passear.

Não há nada que possa ligar esta alteração ao facto de o Governo já ter adiantado que a partir de 2 de maio vai aliviar algumas medidas de restrição. E que a partir daí, se os atuais dados da pandemia se mantiverem, o país irá gradualmente voltar, em segurança, à normalidade, reabrindo vários setores a cada 15 dias. Tudo será decidido no fim da próxima semana, de acordo com os conselhos das autoridades de saúde. Mas é um facto e os registos de localização dos telemóveis dos portugueses não mentem: nos últimos sete dias tem havido uma diminuição gradual do confinamento: uma queda de 13%.

As conclusões são da consultora PSE, que alerta, no entanto, que é preciso “prudência na análise dos dados” nos próximos dias para se poder dizer se há ou não um relaxamento da população. “Os portugueses foram extraordinariamente responsáveis na forma voluntária como acataram o confinamento e também o estão a ser no desconfinamento”, diz o responsável pelo projeto.

Ainda assim, esta tendência é também reforçada pelos registos de mobilidade da Apple, que mostram um aumento nos movimentos dos portugueses a pé e de carro entre os dias 19 e 21 de abril.

Último fim de semana foi aquele em que os portugueses mais saíram de casa durante o estado de emergência

Há uma queda — embora não acentuada — do nível de confinamento, visível na última quinta, sexta, sábado, domingo, segunda, terça e quarta. Comparando os valores dos dias homólogos anteriores, concluímos que tem tido uma queda média de 13%”, conclui o estudo da PSE.

Esta quarta-feira registou um dos valores “mais baixos” de confinamento: 57% — uma percentagem igual à registada no primeiro dia de estado de emergência, 19 de março. Estes valores são, mesmo assim, muito inferiores aos registados antes da pandemia. Nessa altura, apenas 25% dos cidadãos ficava em casa. É, aliás, no fim de semana que a polícia nota que há mais gente do que o habitual no Jardim da Estrela. 

Ainda assim, numa análise global, os fins de semana registam maiores níveis de confinamento do que nos restantes: isto porque as pessoas que não estão em teletrabalho não precisam de se deslocar aos empregos nos sábados e domingos, tal como acontece durante a semana — o que puxa para cima os níveis de confinamento. Ainda assim, também aqui se nota uma tendência de relaxamento: o último fim-de-semana foi aquele em que os portugueses saíram mais de casa desde que foi decretado o estado de emergência. O passado domingo, por exemplo, registou uma percentagem de 66% de pessoas confinadas — nos restantes domingos esse valor andou entre os 70% e os 79%.

O estudo da consultora conclui também que “há uma ligeira mas clara tendência para os portugueses aumentarem a sua mobilidade”. O índice de mobilidade mostra como os portugueses estão a fazer mais deslocações. Ainda assim os valores, que se situaram nos 53% esta quarta-feira, estão “muito distantes da normalidade”.

Há mais trânsito e mais portugueses a fazer deslocações de longo curso

Na A5, na ponte 25 de Abril, no IC19 ou até mesmo no centro da cidade de Lisboa é evidente um aumento no trânsito. É certo que à hora de ponta desta quinta-feira não havia as habituais filas intermináveis de carros. Ainda assim os registos de mobilidade da Apple mostram um aumento nos movimentos dos portugueses a pé e de carro entre os dias 19 e 21 de abril. Também que a percentagem de passeios de carro é agora superior aos feitos a pé — ao contrário do que acontecia antes da pandemia.

Mais do que isso: os portugueses estão a fazer deslocações maiores. “Se tínhamos 15% da população a fazer deslocações de médio ou longo curso, nos últimos sete dias essa proporção passou para 23% da população”.

Analisando o gráfico da consultora é possível perceber que a percentagem de portugueses que percorreram mais de 20 quilómetros por dia aumentou de 9% para 14%, quando comparados os últimos sete dias com a semana anterior.

E como é que a consultora sabe isto? A partir de uma aplicação instalada nos smartphones de 3.670 pessoas que deram autorização para que os seus dados de localização e deslocação fossem recolhidos de forma contínua. Estas pessoas têm mais de 15 anos e residem nas regiões do Grande Porto, Grande Lisboa, Litoral Norte, Litoral Centro e distrito de Faro — uma amostra representativa do universo em estudo, garante a PSE.

Na verdade, este estudo começou a ser realizado em 2019, ainda antes de haver qualquer suspeita do novo coronavírus — o objetivo era apenas “auxiliar as câmaras municipais no ordenamento do território e na gestão de mobilidade e transportes” e “outras empresas e entidades em estudos comportamentais”. Mas agora permite analisar os movimentos dos portugueses em tempos de pandemia.

 

1 / 0
Pub - Ulahlah - 250-1
Auchan 250

Diário

opiniao-publica

Tudo sobre Famalicão no seu e-mail

Subscreva a nossa newsletter
e acompanhe a atualidade famalicense.