paises-em-contrarrelogio-para-chegar-primeiro-a-uma-vacina-da-covid-19

Notícias

Países em contrarrelógio para chegar primeiro a uma vacina da Covid-19

8 min. 28.04.2020

FRANÇA

O Instituto Pasteur e a gigante farmacêutica Sanofi estão entre as entidades que correm pela criação de uma vacina. A Sanofi, que trabalha também com a britânica GSK, uma das maiores companhias da indústria farmacêutica, afirmou que pode conseguir uma vacina para o novo coronavírus até ao próximo ano.

"Ainda não compreendemos completamente o papel dos anticorpos neste fenómeno", explicou Frédéric Tangy, especialista em vacinas do Instituto Pasteur, à agência AFP. Por ser um vírus que sofre mutações, aquele centro científico está e investigar a criação de uma "vacina universal contra o coronavírus", que atua nas proteínas comuns de toda a família desse vírus.

Um outro projeto em marcha é o Discovery, um ensaio clínico que envolve pacientes de vários países europeus e que está a ser coordenado pelo Inserm - Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica. Este ensaio baseia-se em quatro tratamentos experimentais, nomeadamente o eventual uso da polémica hidroxicloroquina, que levou a Agência Nacional Francesa de Segurança de Medicamentos e Produtos de Saúde a alertar para os perigos do fármaco, sobretudo ao nível cardíaco.

ALEMANHA

O Instituto Paul Ehrlich (PEI) foi autorizado a avançar com o primeiro estudo clínico na Alemanha para uma vacina contra a Covid-19, num pequeno grupo de voluntários saudáveis. Segundo o PEI, é uma vacina de RNA (material genético de certo tipo de vírus), fabricada pela empresa alemã de biotecnologia BioNTech, que faz com que o corpo humano consiga gerir proteínas que são repelidas pelo sistema imunológico.

Na primeira fase do estudo, uma das variantes da vacina levemente modificada será testada em 200 voluntários saudáveis com idades entre os 18 e 55 anos. Após um período de observação, na segunda fase dos testes, mais voluntários da mesma faixa etária serão vacinados.

O objetivo é testar diferentes variantes de possíveis vacinas baseadas em RNA e determinar a tolerância e capacidade de criar no corpo humano uma resposta imune e, posteriormente, também o impacto de uma segunda dose da vacina. O ensaio será, posteriormente, alargado a 20 mil pessoas.

A BioNTech garante que se os testes comprovarem a eficácia do fármaco consegue produzir uma grande quantidade de vacinas em pouco tempo.

INGLATERRA

Depois de ter conseguido resultados promissores com macacos, a Universidade de Oxford acredita que em setembro pode ter a vacina contra a Covid-19. O novo fármaco vai ser testado em seis mil pessoas em maio, para se apurar se a eficácia e segurança da substância se mantém nos humanos.

Em março, o fármaco foi administrado em macacos-rhesus, "os mais parecidos com os humanos", contou Vincent Munster, responsável pelo estudo, ao "The New York Times". Do grupo de primatas, amplamente exposto ao novo coronavírus, os seis que receberam uma única dose da vacina mantiveram-se saudáveis mais de 28 dias e os que não receberam qualquer tratamento ficaram doentes.

RÚSSIA

Na lista da Organização Mundial de Saúde, há nove vacinas russas candidatas para aquela que pode ser a salvação que o mundo aguarda e deseja.

Desde fevereiro que investigadores russos estudam o novo coronavírus e a resposta mais promissora é do Centro Russo de Virologia e Biotecnologia, o Centro Vector. A pesquisa tem por base as vacinas desenvolvidas contra o sarampo ou o ébola, de acordo com o ministério da saúde.

A vacina já foi testada em ratos e furões e difere dos protótipos anunciados pelos EUA, China ou Reino Unido. Fontes oficiais indicam que, embora os resultados desses testes sejam positivos, "a vacina para consumo em massa não chegaria antes de setembro", prevê Maksiutov.

CHINA

Na China, há várias equipas de investigadores a trabalhar em pelo menos cinco vacinas há vários meses. O Ministério da Saúde diz que um protótipo já foi testado em humanos e que poderá ser utilizado em caso de emergência em setembro, nomeadamente em grupos mais vulneráveis.

À cadeia de televisão estatal, a CGTN, o chefe do Centro Chinês de Controlo e Prevenção de Doenças explicou que os ensaios estão nas fases dois e três. "Essas vacinas, que ainda estão em fase de teste, podem ser usadas em grupos específicos, como profissionais de saúde", afirmou Gao Fu devido à possibilidade de uma segunda vaga de infeção no país.

"Se a China for o primeiro país a inventá-la e tivermos a nossa própria patente, mostraremos o progresso da nossa ciência", afirmou Chen Wei, epidemiologista e general do exército chinês que liderou a equipa de cientistas militares que se mudaram para Wuhan, epicentro do novo coronavírus que causou uma pandemia global.

A Casa Branca já terá recebido o primeiro relatório de um grupo de cientistas, que se uniu para responder à crise sanitária mundial, garante o "The Wall Street Journal". A investigação está a ser financiada por investidores multimilionários norte-americanos e a equipa conta com nomes de peso como o biólogo Michael Rosbash, que conquistou o prémio Nobel da Medicina em 2017.

O documento de 17 páginas enviado a Donald Trump propõe, entre outras medidas, generalizar a utilização do medicamento remdesivir, da farmacêutica Gilead, para tratar os pacientes com doses maiores numa fase inicial.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos (56 mil) e mais casos de infeção confirmados (quase um milhão).

Entre os multimilionários envolvidos no apoio à rede de cientistas está Steve Pagliuca, coproprietário da equipa da liga norte-americana de basquetebol (NBA) Boston Celtics.

Um dos ensaios clínicos a decorrer no país está a ser feito no NHI (Instituto Nacional de Saúde), um outro está a ser feito pelo laboratório Inovio Pharmaceuticals, que vai testar um fármaco em dezenas de voluntários na Universidade da Pensilvânia e num centro de testes em Kansas City, Missouri.

1 / 0
Pub - Ulahlah - 250-1
Auchan 250

Diário

opiniao-publica

Tudo sobre Famalicão no seu e-mail

Subscreva a nossa newsletter
e acompanhe a atualidade famalicense.