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Falso email das Finanças deu ao hacker acesso a informação de advogado

2 min. 16.09.2020

O método de infiltração no escritório de advogados PLMJ usado pelo hacker baseou-se no envio de um email falso, como se viesse das Finanças, disse esta quarta-feira, o administrador Pais Antunes, na terceira sessão do julgamento do processo Football Leaks.

Em resposta a uma questão do coletivo de juízes, Luís Pais Antunes explicou que uma das advogadas da sociedade recebeu um email das Finanças e, por precaução, remeteu-o para o técnico informático de serviço naquele dia e este acabou por abrir o email, concedendo inadvertidamente acesso aos sistemas informáticos, onde estavam guardadas as autorizações e documentos.

Pais Antunes esclareceu que os acessos aos sistemas informáticos da PLMJ iniciaram-se em outubro de 2018, embora só tenham tido a confirmação no final de dezembro, depois de terem surgido documentos da sociedade num blogue intitulado “Mercado de Benfica” e após perícias forenses realizadas por entidades externas.

O administrador disse que após várias perícias foi detetado que os acessos ao sistema do escritório eram praticados continuamente há meses.

Ao longo da manhã, o líder do escritório de advogados relativizou o impacto da intrusão nos sistemas informáticos da PLMJ, revelando que tinham sido monitorizados centenas de ataques, mas nenhuma intrusão externa, tendo posteriormente a sociedade dado passos no sentido de minimizar os riscos e reforçar a segurança.

Contudo, Pais Antunes não deixou de considerar “relevante, sigilosa e nada anódina” a informação da PLMJ que foi divulgada na Internet, acrescentando não ter conhecimento de outras investigações que tenham sido iniciadas a partir dos documentos revelados.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, 14 de violação de correspondência, seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol e a Procuradoria-Geral da República, e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e ao seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

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